quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Eram diversos os sentimentos que brotaram naquele dia ensolarado num verão de quarenta graus. O seu sorriso era como o sol e o seu beijo como o vento que batia no meu rosto e deslizava sobre meus cabelos. O seu calor era proteção, me refrescando dos quarenta graus. Não era um simples sentimento, naquele momento experimentei de um êxtase unido com o cheiro de ter você ali comigo. Nos seus braços, senti que eu estava segura de que aquilo, era o melhor que poderia nos acontecer. Aquela era a nossa hora. Tinha um toque suave, suas mãos acariciando meu rosto. Dedilhava seus cabelos e contava fio a fio. Você adormeceu e eu apenas te observei, aquilo me descansava a alma e me dava uma sensação de confiança que nunca havia sentido. Naquele instante em que você abriu seus olhos, recebeu meu sorriso de boas-vindas e você sentiu que aquela realidade te fazia sonhar acordado. Era um elo que não poderia ser cortado, ter você ali, ao meu lado.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Com cara de choro e sem entender ao certo o que se passava, tomava o café da manhã sentindo o cheiro de morte que anos atrás sentia, quando a alma pedia consolo, euclausurada numa caixa complexa de matéria perecível, sufocada, pedia por liberdade. A revolução foi concluída com sucesso, mas inúmeras feridas que ali surgiram, nunca mais foram sanadas. A alma ganhou vida nova e ainda não conheceu a verdadeira liberdade. Das mulheres que conhecia, ela se sentia a mais frágil, a mais insegura, porém a mais racional em certos casos. Analista e calculista na maior parte do tempo, fingia não ter sentimentos só para ver quem realmente aceitaria o seu pior, para em seguida, ter o seu melhor. O melhor pra vida inteira. Você nem imagina, mas pensava em você todas as noites, na melhor das intenções. Não haviam dores, nem sofrimento, só melancolia e vontade de ser, ser alguém que ela nunca havia sido. A cara de choro era pelo sonho que havia tido e o cheiro de morte, era a morte da prisão da alma, que agora sim, estava de encontro com a felicidade plena.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Nada de meloso, nada de submisso, nada compulsivo, nada doentio. Esse era o tipo de amor sincero que a sociedade doente havia perdido e insistia em procurar no vazio. Tamanho era o conflito, que as definições de amor verdadeiro foram trocadas por sentimentos insanos que ao passar do tempo eram substituídos por sentimentos opacos e sem vida. Amar é a cegueira dos olhos e não mais aquela visão de uma realidade madura. Esse sentimento tão nobre, realmente existe para poucos, apenas para aqueles que enxergam além do que seus olhos densos podem ver. O amor do século é uma coleção de livros empoeirados na estante antiga que fica no peito, bem guardados, daqueles que começamos a ler e não nos interessamos pelo final. Apenas se entregar, nada de pensar, impulso, primeira vista, nada perto do tão sonhado mundo altruísta. Caminhando sempre rumo ao individualismo egoísta os "tolo sapiens" se definem donos do maior raciocínio dentre os seres vivos. Vamos ver até onde o nosso declínio chegará.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O cheiro da chuva me fazia sentir o cheiro que eu sentia antes de estar aonde estou. Me lembro das últimas palavras sombrias que eu lhe disse em sinal do meu tão grande aprendizado. Era tudo puro, com cheiro de campo e com a sensação de que o paraíso estava diante dos meus olhos. Quando você chorava, com a intensidade da chuva que cai lá fora, eu me sentia o seu sol. Mas me sentia tão distante de você quando o seu inverno chegava. E tão inconstante você se encontrava, à procura de respostas que nunca seriam encontradas. Seus olhos eram ira de si próprio com aquela melancolia de anos atrás. Eu reconhecia seus olhos diante do espelho e via a verdade diante de mim. Tudo a partir dali fazia sentido. O coração batia num ritmo diferente, no ritmo de paz profunda, mas a dor ainda permanecia entre as paredes do meu pensar. Eu via você no espelho, no céu negro e também na chuva de hoje, na melancolia do ontem e te desenhava, quem sabe num futuro não tão distante. Corre que a vida tá lá fora e você alma, não pode ficar aonde está, vá, deixe estar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Em meio a tempestade e caos, com a energia superior a mil megatons e a devastação que eu havia passado, retornei ao meu estado inerte de pensamento obscuro que estava sempre a procura de alguma ocupação fútil que me entregasse nas mãos a sensação de que daqui pra frente correria tudo bem. Ciente até mais do que de costume do que estava a caminho, situei-me em meio ao universo em constante evolução e deparei-me com a grande questão: do que me vale palavras se me faltam atitudes? A acidez da vida já tinha destilado quase que todo o seu veneno. Seria inútil esperar com que palavras alterassem o efeito natural de ter que progredir para evoluir. A evolução era inevitável, a mudança era esperada e as novas formas de pensamentos foram as que surgiram de inesperado. Surpreendi-me ao reparar que se passara tão pouco para mudança de tanto. Um tanto quanto não esperado, afinal, carvão nenhum se transforma em diamante de um dia pro outro.